Para os que ainda têm dúvidas acerca da necessidade de se reformar a Previdência no Brasil, uma coincidência interessante ajuda a clarear as ideias. Na segunda-feira (30), o governo do Espírito Santo, Estado reconhecido nacionalmente pela boa saúde de suas contas, soltou sua previsão orçamentária para 2020. Nela, algumas boas notícias, a principal é a promessa de que o investimento total (recursos próprios e financiamento somados) avance quase 27%, batendo em R$ 1,6 bilhão.
Esse mesmo orçamento do, de novo, saneado Estado do Espírito Santo aponta para a necessidade de um aporte de R$ 2,3 bilhões na Previdência dos servidores estaduais. Tudo para tapar o buraco que dá a diferença entre o dinheiro que entra e o dinheiro que sai para bancar os mais de 40 mil inativos. O rombo é três vezes superior aos investimentos previstos para 2020 com recursos próprios e bem maior que o total de investimentos, que é robusto. Para chegar ao R$ 1,6 bi, o Estado captou empréstimos junto ao BID e ao BNDES.
Um dia após o anúncio da peça orçamentária, chegou ao plenário do Senado o projeto que visa reforma da Previdência. Se algum senador tem, legitimamente, alguma dúvida sobre o que deve ser feito da nossa Previdência, deveria dar uma olhada no orçamento capixaba. Nem mesmo o Estado com a melhor administração fiscal do país consegue se safar do peso causado pelo buraco da Previdência pública. Uma bigorna que draga esforços (recursos) que poderiam ser usados em estradas, escolas, hospitais, creches, segurança pública... para bancar um sistema injusto, desigual e atrasado.
Além de aprovarem a reforma que já passou pela Câmara dos Deputados por larga margem de votos, os senadores precisam incluir Estados e municípios no pacote, sob o risco de o Congresso entregar um serviço (um avanço, sem dúvida), pelas metades.